Maria Dulce Mendes dos Santos. Viúva, trabalhadora rural, negra, 52 anos, mãe de sete filhos, estudou até a quarta série do Ensino Fundamental. Foi brutalmente assassinada por um desconhecido em 2009. O crime de Feminicídio que marcou as mulheres de Calçoene ainda não resultou na punição do acusado. Para homenageá-la, nesta quarta-feira, 28 a Prefeitura de Calçoene, por meio da Coordenadoria Municipal de Mulheres promoveu uma caminhada pelas ruas do centro da cidade em protesto pela violência praticada contra Maria Dulce e outras mulheres calçoeneses.
A “Marcha das Dulces” acontece desde 2010 e chama a atenção para os casos de violência doméstica identificadas no município. Neste ano, a Marcha foi combinada a programação do “Agosto Lilás”, em alusão ao mês de aniversário da Lei Maria da Penha (11.340/06) comemorado dia 7 de Agosto. Reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das leis mais completas e importantes no mundo que tratam da proteção e garantia dos Direitos da Mulher.
Com folhetos educativos e vestidas de lilás, cor que simboliza a luta pelos direitos das mulheres no mundo, as mulheres de Calçoene pediram mais respeito com seus corpos, suas escolhas e seus modos de vida. A Marcha das Dulces percorreu cerca de 2 km pelo centro de Calçoene, atraindo a atenção de mulheres de todas as idades nas casas, órgãos públicos e estabelecimentos comerciais para uma ação mais efetiva contra seus agressores. Pelo menos 50 mulheres ligadas a movimentos sociais e residentes no município participaram da caminhada.
De acordo com a coordenadora municipal de Políticas para as Mulheres, Nilzângela Gurjão Alves, a última vez que se registrou crime de Feminicídio em Calçoene foi em 2017, com uma vítima que morava no distrito do Lourenço, há 57 km da sede do município. A coordenadora destaca que muitas mulheres já recorrem a esfera municipal para produzir denúncias contra os agressores. “Recebemos muitas denúncias e nós também continuamos cruzando as informações com os órgãos que integram a Rede de Atenção a Mulher (RAM), como unidades de saúde, a delegacia e os centros de referência em assistência social”, disse Nilzângela Alves.
A Polícia Civil de Calçoene contabilizou até o ano passado 15 casos de violência doméstica, e só no primeiro semestre deste ano, já foram 28 casos. Todos eles foram precedidos de Medidas Protetivas em favor das vítimas, que aguardam agora a análise dos pedidos junto a Comarca de Calçoene.